Itália, Espanha e Alemanha não decepcionam na estreia na Euro e dão uma lição ao Brasil

Gigantes dão a largada na Eurocopa com vitórias de impacto e caráter. Fiéis aos seus estilos, mesmo sem brilho, derrotaram Bélgica, República Tcheca e Ucrânia. Resultados que indicam alguns ensinamentos à Seleção Brasileira

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euro_2016_logo_detailAndrés Iniesta deu um recital na estreia da Espanha na Euro-2016. Requintado com a bola nos pés, cirúrgico nos passes e condutor nos momentos bons e ruins no triunfo por 1 a 0 contra a República Tcheca, nesta segunda-feira (13/5), o meia do Barcelona fez as honras da atual seleção bicampeã européia.

Dele partiu a bola alçada com a leveza de um lenço ao vento na cabeça de Piqué, que conferiu o gol da vitória espanhola nos minutos finais da partida. O gol era o selo da jornada extraordinária de Iniesta.

Impossível despregar os olhos dos movimentos desse jogador. Tendo coadjuvantes Busquets e Cesc Fàbregas, em nenhum momento perdeu a cabeça. Tinha o controle absoluto de que, mais cedo ou mais tarde, a Espanha passaria por cima dos tchecos.

Fez tudo ao alcance de um maestro. Elegante quando necessário, comum quando se viu obrigado a jogar duro e decisivo no lance capital da partida. Com Iniesta, a Espanha pode sonhar com o tri. Se tivesse atacantes mais agudos do que Morata, Nolito, Pedro ou David Silva, poderia ser ainda mais favorita do que já tem sido.

 

PESO DA CAMISA DA ITÁLIA
Não se pode desprezar nunca os italianos em competições de grande porte. Sem um time forte, com alguns jogadores questionados e azarões no grupo que tem Bélgica, Suécia e Irlanda, a Itália se impôs aos belgas por 2 a 0 nesta segunda-feira (13/6).

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Desde o início da partida, o time do veterano Buffon exigiu respeito da acalentada geração da Bélgica, que tem um punhado de candidatos a craque. Saiu na frente com um belo gol de Giaccherini, no primeiro tempo. Encolheu no segundo, consciente da sua limitação para encarar o adversário e resolveu o jogo com uma ferroada precisa de Pellè.

Os italianos vibraram ao final da partida como se fosse uma conquista de título. Buffon, aos 38 anos, celebrava como um moleque quando seu time vence uma pelada com o time da outra rua do bairro.

Não era para menos. A vitória foi contra os favoritos a capitanear o Grupo E da Euro-16. Do lado da Bélgica fica a sensação de que essa geração, já curvada com o peso de uma campanha discreta na Copa de 2014, ainda não amadureceu. No futebol, quanto mais se demora para ganhar corpo, mais distantes ficam as conquistas.

 

ALEMANHA NÃO BAIXA A GUARDA
Campeã do mundo e sempre entre as favoritas, a Alemanha encontrou alguma dificuldade diante da Ucrânia no domingo (12/6). Sofreu em alguns momentos com sua desordem defensiva, tendo uma linha de defensores com certo desentrosamento, se segurou com a eficiência do goleiro Neuer.

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Quando teve de mostrar serviço do meio para frente, jogou com prazer e objetivo. Khendira, Kross, Ozil e mais Muller e Draxler ditaram as normas contra um adversário atrevido. Fez um gol o zagueiro Mustafi, aos 18 minutos, e concluiu a obra com Schweinsteger, aos 46 – ele havia entrado aos 40 do segundo tempo.

A vitória projeta uma Alemanha forte, com repertório, jogadores experimentados e alguns jovens de muito talento. Joachim Low está tranquilo. Sabe que pode ir longe na Euro-2016 com essa esquadra.

 

LIÇÃO AO BRASIL
Nas três partidas envolvendo Espanha, Itália e Alemanha, todas campeãs do mundo, os jogadores mostraram personalidade na hora de reconhecer a superioridade do adversário e na hora de impor respeito com o peso de suas camisas.

Não se viu medo, desapego e falta de força como mostraram os brasileiros no jogo contra o Peru quando a Seleção conheceu outro fracasso na sua interminável coleção de vexames. Seria bom se olhassem como seus colegas de clubes europeus estão honrando suas seleções na Eurocopa. Sempre é tempo de aprender lições no futebol.

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