Dunga confirma o retrocesso do retrocesso no comando da Seleção Brasileira

Dois anos após o 7 a 1 da Alemanha, Brasil coleciona outro fracasso ao ser eliminado na primeira fase da Copa América Centenário. Não será surpresa se for demitido ainda esta semana pelo invisível presidente da CBF

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Copa_América_CentenarioAcabou o segundo reinado de Dunga no comando da Seleção Brasileira. Se não por decisão da direção da CBF, pelo menos no campo de jogo. Inimaginável ser eliminado na primeira fase da Copa América Centenário, ainda mais com um gol de mão de um dos adversários mais fracos que o Brasil já teve pela frente na sua rica história de cinco conquistas de Copas do Mundo.

A queda diante do Peru neste domingo (12/6) obriga a uma mudança geral na Seleção. Desde 1987, o Brasil não caía na primeira fase da Copa América. O resultado pulveriza a CBF, que não soube dar uma resposta decente após o 7 a 1 da Alemanha a não ser tentar livrar seu atual presidente e dois ex da cadeia.

Insistir com Dunga e Gilmar Rinaldi no comando do escrete era mesmo um retrocesso do retrocesso depois da passagem de Felipão e Parreira na Copa de 2014. Marco Polo Del Nero, atual mandatário da CBF, aconselhado por José Maria Marin, antes de puxar cana na Suíça e depois em cárcere privado no seu suntuoso apartamento em Nova York, fez valer a volta de Dunga.

DungaBrasil-x-Peru-Copa-America-Centenario-1Pois é, apostou em Dunga, um aprendiz de treinador que havia tido uma oportunidade ímpar na Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. A chance de dar certo era zero. Passados dois anos da sua volta, a Seleção não saiu do lugar. Paramos no tempo.

Bom lembrar que Dunga é o chefe do projeto olímpico. Por decisão dele, atendendo a um capricho da CBF, Neymar não foi disputar a Copa América Centenário para tentar a medalha de ouro nos Jogos do Rio.

“Brasil foi eliminado pelo gol de mão. Contra o imponderável não temos o que fazer”, disse Dunga.

O JOGO
No primeiro tempo, a Seleção Brasileira dominou a maioria das ações. Teve pelo menos duas boas chances de gol, com William e Gabriel, e não conferiu. Havia mais envolvimento, movimentação, bolas esticadas por Renato Augusto a Daniel Alves e Elias, boa presença de Gabriel na área. Era um retrato de um time mais leve e inventivo.

Faltou, porém, mais compreensão do jogo por parte de Lucas Lima e Phillipe Coutinho. Os dois mostraram muita boa vontade, mas sem eficiência no lance final.

615528-400x600-1Um pecado da Seleção, quase uma marca do escrete sob comando de Dunga, a pouca insistência aos chutes ao gol. O time quase não arriscou de fora da área. Às vezes, sobrava soberba, enfeite, em lances onde o simples poderia ter mais peso.

Do lado dos peruanos, uma surpresa. Como só a vitória interessava, se imaginava uma carreira para cima do Brasil. Que nada. Eles jogaram com cautela, sem pressa, tudo em nome de uma bola consagradora. Sofreram nos 45 minutos iniciais, mas seguraram o empate. Sinal de que viriam mais forte, para o tudo ou nada, na parte final do jogo.

Há ainda que se destacar dois lances capitais no primeiro tempo. Um pênalti a favor da Seleção Brasileira de Ramos em Lucas Lima e outro pênalti ao Peru de Renato Augusto em Cueva. O juiz não deu nenhum dos dois.

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No segundo tempo, o Peru deu o primeiro susto. Lucas Lima perdeu uma bola perto da grande área, obrigando Miranda a fazer falta em Yotún. Cueva bateu e Alisson fez a sua primeira defesa no jogo, aos 3 minutos.

Os peruanos não desistiram. Diante da fala de apetite do Brasil, que se classificaria em primeiro lugar do Grupo com a vitória ou empate, eles foram para cima até o lance capital. De um cruzamento da direita, Ruidiáz aproveitou vacilo de Alisson e, com o braço, mandou a bola para o gol, aos 28 minutos.

Os jogadores brasileiros correram para cima do bandeirinha Nicolas Taran e do árbitro Andrés Cunha, do Uruguai. Os dois, por meio de rádios comunicadores, trocaram confidências por cerca de quatro minutos até o gol ser confirmado.

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Dali para frente chamou mais atenção a falta de sangue nas veias dos jogadores brasileiros. Sem um pingo de personalidade, arriscaram cruzamentos na área – todos inúteis -, até o apito final. O vexame estava consumado.

Dunga, impávido, não fez as duas substituições a que tinha direito. Havia feito apenas uma, e equivocada, de Hulk no lugar de Gabriel.

Difícil acreditar. O Brasil ficou em terceiro lugar com quatro pontos. Os peruanos fecharam em primeiro, com seis, e o Equador, com cinco.

A seleção de Dunga fez apenas gols na primária equipe do Haiti, que ainda fez um no Brasil – aliás o único gol dos haitianos na Copa América Centenário.

O Brasil perdeu mesmo a majestade. Não está jogando nada e ainda cai ao levar gol de braço. Por isso, uma frase chamou atenção. “Vamos Peru, vamos ganhar”, gritou Guerrero ao fim da execução do hino nacional, antes do início do jogo.

Ninguém respeita mais a seleção das cinco estrelas.

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