Rodrigo Caio salva Ricardo Gomes da demissão e São Paulo sai da UTI

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Desde 7 de agosto, o São Paulo não vencia uma partida fora de casa no Brasileirão. Apertado, a um ponto da zona de rebaixamento, com o técnico Ricardo Gomes pendurado por um fio, o time reagiu e construiu na força de vontade uma vitória de virada por 2 a 1 contra o Fluminense, no Rio. Um resultado improvável diante do futebol exibido no primeiro tempo, mas real com a mudança de comportamento na última parte do jogo. Os três pontos levaram o Tricolor do 16.º lugar para o 12.º. Ufa!

São Paulo não apareceu no primeiro tempo. Sem organização, lento, não se entregou como se espera de um time à beira da zona da degola. Não se impôs, não fez o Flu sentir sede. Parece que os jogadores não entenderam ainda a difícil situação na tabela, a sete rodadas do fim do Brasileirão.

Diante desse comportamento passivo, se esperava pelo menos um plano tático, uma estratégia de jogo. E aí se percebeu o quanto Ricardo Gomes estava perdido. Armou o time para contra-atacar sem determinar a função de cada um. Quem deveria armar o contragolpe, quem seria o arco e quem seria a flecha.

Em algumas situações de desatenção do Flu, o time paulista teve a chance de contra-atacar, mas parou sem saber que caminho seguir.

Do lado dos cariocas, nem um arroubo de um futebol magnífico. Tudo partia dos pés do arrojado Gustavo Scarpa em busca dos atacantes. Nem sempre funcionou.

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Quem fez a diferença foi o atacante Wellington. De um erro de ataque do São Paulo, Wellington pegou a bola quase na sua grande área, atravessou o campo correndo, como se estivesse num domingo na Avenida Paulista, até alcançar a grande área do Tricolor, driblar três de uma vez e sofrer pênalti de Dênis. Incrível a facilidade como ele transitou entre uma área e outra. Por mérito, bateu o pênalti e converteu, aos 30.

Antes de fechar o primeiro tempo, Cueva perdeu gol feito num lance que começou com uma pixotada de Gum. O peruano errou o alvo e a bola beijou o pé da trave.

Na volta do intervalo do jogo, Ricardo Gomes trocou o inútil Buffarini por Kelvin – Wesley foi jogar na lateral-direita. Uma tentativa de dar mais peso ao ataque e corrigir as bobagens feitas pelo lateral argentino.

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METAMORFOSE NO SEGUNDO TEMPO

Quinze minutos se passaram e nada de o time paulista reagir. Fluminense mandava no jogo. Scarpa carimbou o travessão. Denis fez duas defesas importantes.

Gomes, preocupado, trocou Robson pelo garoto David Neres, que fazia sua estreia no time profissional. Vitamina a um time invertebrado. O time avançou e passou a pressionar, algo que não havia feito desde o início da partida. Do abafa, Gum e Marquinho bateram cabeça e a bola sobrou limpa para Thiago Mendes encher o pé: 1 a 1, aos 24. Uma falha a enterrar o time carioca.

Animado com o empate, Gomes lançou outro garoto: Pedro no lugar do obtuso Chávez. Naquele momento, por volta de 30 minutos, o Flu estava em pânico. Thiago Mendes, em outra bobagem da zaga carioca, mandou um balaço no travessão.

Tricolor paulista agora era outro time. Confiante, com sangue fervendo nas veias e acreditando sim que poderia buscar a virada. Tinha os jovens Neres na direita, Pedro no meio e Kelvin na esquerda. Fôlego de sobra.

Sem reagir, em pane geral, o time do Rio não conseguia frear o São Paulo. Os paulistas passaram por cima até Rodrigo Caio, de cabeça, fazer o gol da virada, aos 36. Na comemoração correu para dar um abraço fraternal em Ricardo Gomes e deixar claro que a culpa da derrocada até ali não era culpa do treinador.

Acabava a agonia. Pulsação voltava ao normal. A sete rodadas do fim do Brasileirão, Tricolor começa a respirar sem ajuda dos aparelhos.

FICHA DO JOGO

Fluminense 1 x 2 São Paulo

Gols: Wellington, aos 30 minutos do primeiro tempo. Thiago Mendes, aos 26; Rodrigo Caio, aos 36

Fluminense: Julio Cesar, Wellington Silva (Igor Julião), Gum, Henrique e Giovanni; Pierre (Douglas), Cícero e Gustavo Scarpa; Marcos Júnior (Marquinho), Richarlison e Wellington. Técnico: Levir Culpi

São Paulo: Denis, Buffarini (Kelvin), Maicon, Rodrigo Caio e Mena; João Schimidt, Wesley, Cueva e Thiago Mendes;  Chávez (Pedro) e Robson (David Neres). Técnico: Ricardo Gomes

Juiz: Nelson Nogueira Dias
Cartões amarelos:
Denis, Buffarini, Maicon, Lugano
Local: Edson Passos

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