Sem dar respostas a ninguém e com Neymar aprumado, Seleção Olímpica reencontra bom futebol e retoma rota do ouro

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Gabriel Jesus, enfim, celebra seu gol na Olimpíada – Foto Nelson Almeida – AFP

Meninos da Seleção Olímpica não deram respostas a ninguém. Nem aos críticos, nem aos torcedores, que optaram por exaltar Marta a Neymar, muito menos à TV Globo. A resposta foi para eles mesmos. A vitória por 4 a 0 teve muito da mudança tática feita por Rogerio Micale ao usar Luan como meia e um novo arranjo do tridente, com Gabriel, Neymar e Gabriel Jesus. Enfim, a seleção se reconciliou com o bom futebol e vai enfrentar a Colômbia nas quartas de final no Itaquerão.

Tudo começou com a necessidade de se jogar de uma forma diferente do que havia sido apresentado nos dois jogos – empate sem gols contra África do Sul e Iraque.

A ressurreição se deu em três dias. Jogadores passaram por reuniões entre eles, depois receberam conselhos dos familiares. Em seguida, se entenderam com Micale de como deveriam se encaixar com a entrada de Luan. E, por fim, a conversa final com Tite, técnico da Seleção principal, que transmitiu confiança e serenidade a todos.

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Todos esses ingredientes foram fundamentais para a virada tática do time e a nova postura. Mas teve um fator especial: Neymar. Era preciso fortalecer o craque, escorraçado nos últimos dois jogos e obrigado a conviver com as comparações ao futebol de Marta, a craque da seleção das meninas.

Micale teve papel fundamental nesse contexto. Na coletiva de imprensa em Salvador, na véspera da partida, saiu em defesa do craque e bateu forte nos que acusavam o jogador como descompromissado com a Seleção. Isentou Neymar de culpa pelo péssimo futebol apresentado até ali.

“Nós, atletas, vivemos no céu e inferno. Sofremos algumas críticas maldosas. Nós temos de nos apegar às nossas famílias. A Rafaela (Silva, medalha de ouro no Judô) foi criticada em 2012, disseram que ela era uma vergonha ao País. Deu a volta por cima e ganhou a medalha. É um exemplo que temos de seguir”, disse Neymar.

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O treinador sabia que Neymar forte, cabeça no lugar, era meio caminho andado. Funcionou. Mesmo sem ter feito um gol, o atacante do Barcelona fez uma bela partida e deu personalidade aos garotos.

ANÁLISE DO JOGO

Brasil jogou um primeiro tempo exemplar. Se livrou das amarras e ansiedade dos últimos dois jogos e se impôs. A troca de passes saiu mais rápida.

Houve mais entendimento entre os três do tridente da linha de frente. Gabriel Jesus deixou de ser centralizado, ocupando o setor esquerdo para atacar e neutralizar o lateral dinamarquês, uma arma do adversário.

Essa movimentação deu mais espaço a Neymar a flutuar nas costas dos volantes dinamarqueses. Gabigol continuou fiel na direita, obrigando a marcação dobrada por ali. Deu certo. Essa configuração deu ao ataque mais agilidade e alternativas para furar o bloqueio e a confundir a marcação da Dinamarca.

 

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Tridente alinhado e, mesmo sem se entender por música, transmitiu segurança aos meias. E aí apareceu Luan, com liberdade total para conduzir a bola, buscar os atacantes e se intrometer na grande área. Luan fez esse papel tendo como alicerce Wallace e Renato Augusto, fundamentais na escora do time.

Renato Augusto e Wallace, de boa saída com a bola, também deram mais tranquilidade para o lateral Douglas Santos apoiar o ataque. Quando ele descia, Jesus puxava o lateral para o meio e abria um enorme espaço para o jogador do Atlético-MG chegar à linha de fundo. Dali nasceu o cruzamento do primeiro gol, com Gabigol. Foi o melhor caminho da Seleção e um tormento constante aos dinamarqueses.

A partir do gol de Gabigol, aos 25 minutos, a Seleção se fortaleceu. Deixou de ser ansiosa e se moldou ao jogo. Ganhou ainda mais confiança quando Gabriel Jesus marcou o seu, aos 40 minutos. Acabava o pavor do menino do Palmeiras, uma preocupação a menos dos outros jogadores nitidamente angustiados com a falta de gols de Jesus até então.

No segundo tempo, o Brasil teve o mesmo comportamento e coerência tática da primeira parte do jogo. Gols seriam uma consequência natural. Luan fez o terceiro, logo aos 5. Gabigol fechou a conta, aos 36.

Goleada, tranquilidade, pés no chão e alívio. Quanto a Neymar, o longo abraço apertado em Micale ao final do jogo diz tudo. Brasil, parece, retomou a rota que pode levar ao ouro.

“Foi um alívio grande, se disser que não estarei mentindo. A gente estava pressionado, criticado a apresentar um bom futebol. Agora vamos dormir tranquilos”, disse Gabriel Jesus, ao final da partida.

FICHA DO JOGO

Brasil 4 x 0 Dinamarca

Gols: Gabriel, aos 25; e Gabriel Jesus, aos 40 minutos do primeiro tempo. Luan, aos 5; e Gabriel, aos 36 do segundo tempo.

Brasil: Weverton, Zeca (William), Marquinhos (Luan), Rodrigo Caio e Douglas Santos; Wallace, Renato Augusto (Rodrigo Dourado) e Luam; Gabriel, Gabriel Jesus e Neymar. Técnico: Rogerio Micale.

Dinamarca: Hojbjerg, Puggaard (kasper Larsen), Gregor, Gomes e Blabjerg; Borsiting (Rasmussen), Manso, Jonsson e Vibe; Bruun Larsen e Brock-Madsen (Skov). Técnico: Niels Frederiksen.

Juiz: Aliereza Faghali (Irã)
Cartões amarelos: Maxso e Gabriel Jesus
Local: Fonte Nova (Salvador)

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