Ministério Público de São Paulo confirma ameaça e fecha rua Turiassu, reduto de palmeirenses, com ação da Polícia Militar

Ação da Polícia Militar neste início de tarde nos arredores do Allianz Parque não é uma surpresa a este Blog do Prósperi. Em junho, a informação estava em um post deste blog, quando o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de SP, ameaçava uma intervenção nas ruas que circundam o estádio do Palmeiras. Passados quatro meses, Castilho cumpriu com o que havia declarado em um simpósio sobre violência no futebol paulista, em junho. A rua está bloqueada neste domingo (23/10) e só entra quem tem ingressos. Nas redes sociais, torcedores do Palmeiras mostram sua indignação e repulsa à decisão das forcas de segurança do governo Geraldo Alkimin e MP de SP.

Veja o post publicado em junho neste blog:

Reféns da violência no futebol, governo, polícia, Ministério Público, gestores de clubes, federações e CBF estão perdidos. Desde 1995, quando um torcedor foi morto a pauladas no Pacaembu no confronto entre facções de São Paulo e Palmeiras, uma série de providências, leis e repressão não tem evitado batalhas e execuções a ferro, pau e fogo de torcedores.

Voltando a 1995, após o sangue derramado e uma morte atestada no conflito entre torcedores na final da Supercopa de Juniores entre Palmeiras e São Paulo, o MP, na época sob a guarda do promotor Fernando Capez, extinguiu torcidas organizadas, vetou bebida alcoólica e o uso de bandeiras com mastro nos estádios. Capez se saiu como o paladino das arquibancadas.

Passado o tempo, as facções voltaram a frequentar as arenas, nunca se bebeu tanto em torno dos estádios, as batalhas se alastraram e mais mortes foram e vem sendo computadas mês a mês. Apenas bandeiras não tremulam mais nas arenas.

Estamos em 2016, 21 anos depois da morte no Pacaembu, Capez virou deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e acusado de envolvimento no escândalo da merenda no Estado de São Paulo.

Alexandre Moraes, hoje Ministro da Justiça no governo interino e acusado de golpista Michel Temer, no seu último ato como Secretário de Segurança Pública de São Paulo decretou torcida única nos clássicos entre clubes paulistas até dezembro deste ano.

No clássico Corinthians e Santos, com torcida única no Itaquerão, torcedores corintianos foram alvos de uma emboscada por facções de santistas, segundo disse o presidente do clube Roberto Andrade na Fox Sport.

PAULO CASTILHO VAI FECHAR RUA TURIASSU

Nesta quarta-feira, em um audiência pública sobre torcida única na Assembleia Legislativa de São Paulo, o promotor Paulo Castilho, um dos autores do decreto de torcida única nos clássicos, lançou mais uma ação. Leia mais sobre o assunto no blogdomenon.blogosfera.uol.com.br.

Veja o que Castilho disse

“A grande maioria dos torcedores organizados não sabem (sic) se comportar civilizadamente, e nos obrigam a pensar em soluções para coibir sua violência. Temos que pensar em soluções para, por exemplo, fechar as sedes de torcidas no entorno do Allianz Parque. E também dar um jeito de não ter bares abertos por ali em dias de jogos. Os torcedores bebem, em garrafas de vidro, se concentram aos milhares ali, dificultando o controle e até a entrada na arena”.

Neste pedaço da Pompeia, tradicional reduto de bares, lanchonetes e restaurantes, todos foram erguidos ali atraídos pelo fluxo de consumidores em dias de jogos e na vida cotidiana de quem defende seu comércio no entorno de um clube social e estádio de futebol que estão no bairro desde 1914.

Não há um lugar no mundo em que estádios construídos em bairros tradicionais das cidades não tenham bares, lanchonetes e restaurantes e até sede de torcedores nos seus arredores.

Não constam nos estudos de especialistas que lei seca e fechamento de bares perto dos estádios têm diminuído a violência no futebol.

Desde as tragédias de torcidas no futebol inglês, nos idos de 1980, esse tema de violência no futebol me chama atenção. Cobri a batalha do Pacaembu. Entrevistei Capez na época, antropólogos, chefes de torcidas, advogados, dirigentes de clubes.

Fora o que disseram os estudiosos e especialistas, todas as ações de repressão contra violência no futebol, baixadas por decreto das autoridades, não deram em nada.

No Copa do Mundo de 1990 na Itália cobri para o Jornal da Tarde e Estadão a batalha entre hooligans ingleses e holandeses em Cagliari na Ilha de Sardenha. Na semana que antecedeu ao jogo, o prefeito de Cagliari, em conjunto com os Carabinieri (polícia italiana), decretou lei seca nos bares da cidade e entupiram as ruas com tropas de elite da polícia e agentes federais. Mesmo assim, ingleses e holandeses sorveram oceanos de cerveja, compradas em supermercados e de clandestinos. A batalha foi sangrenta.

Antes de pensar em fechar bares e afastar torcedores ao arredor dos estádios e decretar torcida única é preciso recorrer a quem entende do assunto. Vetar, proibir e reprimir, esses verbos não combinam com o futebol

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