Fifa estraga eleição do melhor jogador do mundo

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Fifa acaba de esculhambar a escolha do melhor jogador do mundo ao abrir a votação, por meio da internet, aos torcedores. Não que a torcida não tenha de ser consultada, o que pesa contra são os critérios subjetivos na hora de votar. Participação democrática sempre é bem-vinda. O problema é que, em eleições desse tipo, nem sempre se escolhe aquele jogador que tem mais bola. Prevalece a paixão, idolatria. Nesse caso, por ser caladão e introspectivo, Lionel Messi corre grande risco de ficar fora da lista dos três mais votados em 2016. O craque argentino tem cinco bolas de ouro na sua coleção.

De acordo com a decisão da Fifa, torcedores terão peso significativo na escolha do jogador bola de ouro ao dar a eles 50% dos votos junto com 200 jornalistas de países filiados à entidade. Os outros 50% serão votos de técnicos de seleções nacionais e respectivos capitães.

A eleição pode se transformar em uma guerra de torcidas de clubes. Comunidades, por exemplo, do Real Madrid querendo esmagar a do Barcelona despejando seus votos em Cristiano Ronaldo contra Lionel Messi.

Vai pesar, e muito, a capacidade de mobilização das torcidas em cima de um nome para prevalecer a paixão por determinado jogador e não pelo seu desempenho em campo.

O caso do gol mais bonito da temporada passada, vencido pelo brasileiro Wendel Lira, é bem ilustrativo. Ele só ganhou a eleição por uma mobilização fora do comum nas redes sociais pedindo voto ao seu gol.

No futebol a paixão manda. Daqui para frente, candidatos a melhor do mundo serão obrigados a jogar muita bola e cativar torcedores. Messi, eleito cinco vezes o bola de ouro, que se cuide. Seu negócio é não ocupar as redes sociais e sim encantar multidões com a bola nos pés. Não precisa de mídia para aparecer.

Na sexta-feira (05/11), a Fifa vai divulgar a lista dos 23 concorrentes a melhor do mundo, troféu agora batizado de “The Best Football Awards”. Neste mesmo dia, a entidade abre votação online que se estenderá até 22 de novembro.

selecao-do-ano-da-fifa-foi-premiada-durante-a-cerimonia-da-bola-de-ouro-1452535453881_956x500A premiação está prevista para dia 9 de janeiro 2017 em oito categorias diferentes: melhor jogador e a melhor jogadora, o melhor técnico de time masculino, o melhor treinador de equipe feminina, o gol mais bonito (Prêmio Puskas), o prêmio Fair Play e a seleção do ano – com os 11 jogadores eleitos apenas pela comunidade de jogadores.

Outra novidade é um troféu destinado às torcidas (Fan Award), que também será decidido com voto do público. Neste caso, um grupo de analistas vai escolher momentos de intensa paixão de torcedores e submeter ao voto online.

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“Este evento será sobre futebol e seus participantes mais apaixonados – jogadores, treinadores e torcedores. É um novo evento, com novas abordagens para celebrar o jogo que todos nós amamos”, disse Gianni Infantino, presidente da Fifa.

Quando reúne jogadores e torcedores em uma premiação, a entidade quer na verdade é se tornar um pouco mais popular. Mergulhada até o pescoço em escândalos de corrupção, com troca de comando nos últimos dois anos e dirigentes do alto escalão puxando cana, a Fifa espera tirar um pouco da lama que encobre seu nome neste momento. Daí essa iniciativa de atrair a participação popular na escolha dos melhores do mundo do futebol.

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