Desde 7 de agosto, o São Paulo não vencia uma partida fora de casa no Brasileirão. Apertado, a um ponto da zona de rebaixamento, com o técnico Ricardo Gomes pendurado por um fio, o time reagiu e construiu na força de vontade uma vitória de virada por 2 a 1 contra o Fluminense, no Rio. Um resultado improvável diante do futebol exibido no primeiro tempo, mas real com a mudança de comportamento na última parte do jogo. Os três pontos levaram o Tricolor do 16.º lugar para o 12.º. Ufa!
Análise da 32.ª rodada em cinco temas não pode fugir da polêmica da arbitragem. Críticas de todos os lados e o que mais se ouviu neste domingo foi “juiz ladrão”
Igor Junio Benevenuto (MG) , árbitro durante partida do Palmeiras contra o Avaí, válida pela décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro 2015 em São Paulo-SP, 00/00/2015 – Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press
Florianópolis/SC – Gol do Palmeiras, Jean. Figueirense enfrenta o Palmeiras neste domingo no Estádio Orlando Scarpelli. Fotos: Antonio Carlos Mafalda/Mafalda Press
Bruno Silva comemora gol durante a partida entre Fluminense x Flamengo, válida pela 31a rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol 2016, realizada no estádio Luso-brasileiro, na tarde desse domingo (16), Rio de Janeiro, RJ. Foto: Ide Gomes / FramePhoto
Palmeiras teve a rodada perfeita. Venceu o Figueirense e viu seus concorrentes caírem um a um com as derrotas do vice-líder Flamengo, do terceiro colocado Atlético-MG e o empate do Santos, o quarto na tabela. Time de Cuca abre assim quatro pontos em cima do Fla, oito do Galo e nove da equipe de Dorival Júnior. Seria belo aos palmeirenses não fosse a indignação total contra a arbitragem na maioria dos jogos deste domingo. Grito geral de “juiz ladrão” e “vergonha. Acompanhe:
Corinthians se acalma dentro de campo com a vitória diante do lanterna América-MG. Evidente que não fez mais do que a obrigação, ao jogar em casa contra o pior time do campeonato. Mas a tranquilidade aparente vem da estreia sem sobressaltos de Oswaldo de Oliveira. Treinador rejeitado pela torcida teria de recomeçar sua história no clube sem sofrer. Funcionou. Na quarta-feira, em Minas, terá um duro teste contra o Cruzeiro valendo vaga nas quartas de final da Copa do Brasil – no jogo de ida Corinthians venceu por 2 a 1. Se avançar, Oswaldo vai ganhar alguns créditos com a Fiel e tocar sua vida. Enquanto isso, bastidores no clube fervem.
Palmeiras estava pressionado ao abrir a rodada deste domingo. Distante apenas um ponto do vice-líder Flamengo, ainda no epicentro do furacão da polêmica da arbitragem, a ponto de o presidente Paulo Nobre afirmar que “ninguém vai ganhar o Brasileirão na mão grande”, o time de Cuca venceu o Figueirense por 2 a 1 fora de casa, abriu quatro pontos do time carioca, que perdeu do Inter, e fica muito perto da taça de campeão.
TV Globo, CBF e clubes têm uma chance de amenizar a crise da arbitragem no Brasileirão 2016. Basta convocar uma reunião de emergência e, por meio de um decreto assinado por todas as partes, vetar a exibição de tira-teima ou replay de um lance polêmico durante os jogos antes de o árbitro tomar a sua decisão. Dessa forma a tal “interferência externa”, tão explícita na confusão do último Fla-Flu, seria evitada. Sem acesso à imagem do gol impedido de Henrique a favor do Fluminense, ninguém teria como influenciar o árbitro Sandro Meira Ricci e seus bandeirinhas na hora de validar ou não o gol. E, por tabela, evitaria a “troca de tiros” entre cartolas de Palmeiras e Flamengo.
Oswaldo de Oliveira assumiu o comando do time do Corinthians nesta sexta-feira (14/10) falando grosso. Disse que quem ama não vaia, em busca do apoio da torcida. Voltou ao passado, fim dos anos 90 e começo dos 2000, quando ganhou tudo no time da Fiel. Há pouco mais de um mês, Ricardo Gomes retornava ao São Paulo por ter sido importante ao clube lá por volta de 2009, momento de júbilo no Morumbi. E o que dizer de Celso Roth no Inter e Renato Gaúcho no Grêmio? De identidade com os clubes gaúchos, dirigem os dois times com o coração da história e incertezas de um futuro breve. Futebol no Brasil não consegue tirar algemas do passado.
Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, disse no final da tarde desta sexta-feira (14/10) que “ninguém vai levar o Campeonato Brasileiro na mão grande” e afirmou que o Flamengo pressiona a arbitragem, CBF e Comissão de Arbitragem para ser beneficiado nos jogos. Nobre falou ainda que a “pressão do Flamengo é absurda” e citou a confusão no clássico carioca quando o juiz Sandro Meira Ricci levou 13 minutos para não validar o gol de Henrique do Fluminense.
São Paulo é candidato sério ao rebaixamento a oito rodadas do fim do Brasileirão. Está apenas a três pontos da zona da degola. Pior, não tem como reagir. A derrota por 1 a 0 no clássico contra o Santos escancara, mais uma vez, o quanto o time é desequilibrado. Quando se desdobra com força de vontade e entrega, sucumbe à falta de recursos, em especial na linha de ataque. Torcedor são-paulino sabe que vai sofrer até o fim. E do outro lado, o Santos a cada rodada consolida sua vaga na Libertadores de 2017.
Oswaldo de Oliveira recebe o Corinthians de Fabio Carille ainda com chance de brigar por uma vaga na Copa Libertadores 2017. Na despedida do interino, o time venceu o Santa Cruz de virada por 4 a 2, chegou aos 45 pontos, na oitava posição da tabela e bem perto do G-6. Quem olha o placar elástico pode se iludir. Ainda sob os efeitos da sequência de seis rodadas sem vitórias, o alvinegro jogou para o gasto. Oswaldo, como já se esperava, vai ter muito trabalho.
Oswaldo de Oliveira assume o Corinthians nesta quinta-feira (13/10), um dia depois de deixar o Sport à beira da zona de rebaixamento do Brasileirão com a derrota por 3 a 0 para a Chapecoense. Em baixa na carreira, é de se perguntar o que Oswaldo vai fazer nesta sua volta ao clube?
Vanderlei Luxemburgo voltou da China em junho ao ser demitido do Tianjin, da Segunda Divisão. Estava quieto até o fim de setembro. De repente, em apenas uma semana neste início de outubro, provocou um furacão com declarações polêmicas envolvendo Felipão, corrupção no futebol chinês e Pep Guardiola. E entrou no radar de São Paulo, Corinthians e Santos, clubes enroscados com seus treinadores no Brasileirão-2016. Seu nome sofre forte rejeição nas torcidas dos três clubes, indicam sondagens nas redes sociais.
Palmeiras não desengata a marcha nem desacelera na estrada que o conduz até o título do Brasileiro. Sem brilho, com excesso de segurança e cauteloso ao extremo, se impôs contra o virtualmente rebaixado América-MG. Venceu por 2 a 0 em Londrina, mas pode dizer Allianz Parque, com maioria absoluta de palmeirenses no Estádio do Café. Nas contas de Cuca faltam pelo menos cinco vitórias, em nove rodadas, para levantar a taça. Matemática sempre de olho no Flamengo, o vice-líder irredutível na corrida para ser campeão.
Gustavo chegou ao Corinthians na primeira semana de setembro, contratado do Criciúma. No clube de Santa Catarina era conhecido por “Gustagol”, tamanho apetite como mandava a bola para as redes na Série B do Brasileirão. Marcou 11 gols e desfrutava da artilharia da Segundona. Ao ser apresentado no Corinthians, recebeu a camisa 9. Lembraram a ele, na coletiva de imprensa, que um dia aquela camisa havia sido vestida por Ronaldo Fenômeno. Gustavo, mas pode chamar de “Gustagol”, chorou. Era um sonho da vida dele, aos 22 anos, usar um manto do seu ídolo Ronaldo. Tempo passou. Gustavo completou 9 jogos com a consagrada camisa e nada de meter um golzinho.
São Paulo não encontrou uma solução para transformar sua superioridade no primeiro tempo em um boa vantagem no placar. Não fosse seu ataque anêmico, poderia ter feito algo mais de precioso. Chegou ao gol com Thiago Mendes e cedeu o empate ao Sport, no golaço de Diego Souza. No segundo tempo, quando o jogo virou um Deus me acuda, deveria acender uma vela ao goleiro Denis e agradecer todos os dias pelos gols perdidos por Apodi. O empate não refresca a situação do Tricolor, ainda agarrando às pedras para se distanciar da zona de rebaixamento.
Corinthians já deve antecipar o fim do expediente e fechar para balanço nesta temporada. Sem recursos técnicos e comandado por um treinador interino, decepcionou mais uma vez no Itaquerão e chegou a seis jogos sem vencer no Brasileirão ao empatar por 0 x 0 com o Atlético-MG, desfalcado de dez jogadores importantes. Bom para o time de Minas, que só se defendeu e saiu feliz com um ponto fora de casa.