Análise da 26ª rodada em 5 temas: Palmeiras e Flamengo não se suportam; Santos não desiste da briga; São Paulo e Corinthians se esfarelam

Palmeiras e Flamengo se consolidam como postulantes ao título e se distanciam, com a bola que têm jogado, de Atlético-MG e Santos, dois times com um pouco de soberba nos momentos decisivos. Corinthians, em queda livre, parece ter abandonado a peleja ao demitir Cristóvão Borges após derrota no clássico no sábado.

Acompanhe os cinco temas de discussão da 26.ª rodada do Brasileirão.

1.Santos vive dilema da falta de identidade na corrida da taça

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O que leva um time destroçar os grandes e apagar diante dos pequenos? Difícil de explicar. Contra as forças do campeonato, o Santos encara e se impõe. Na hora de enfrentar os que habitam a parte baixa da tabela, se apequena. A vitória (3 a 2), quase surreal contra o Santa Cruz nesta noite de domingo no Pacaembu, é uma prova da falta de sintonia da equipe. Depois de sair na frente com um gol logo de cara, dominou como quis o primeiro tempo. No segundo, já com uma máscara e um pouco de soberba, viu o Santa empatar e assumir o controle da partida. Conseguiu fazer 2 a 1. Sofreu novo empate e só no finalzinho com um gol incrível de Vitor Bueno carimbou a vitória. Santos esteve muito perto de fechar o jogo com o empate diante do vice-lanterna do Brasileiro. Pode se complicar na reta final se não aceitar que não é maior que todos os concorrentes. E jogar sério.

2.Atlético-MG sofre com seus veteranos e falta de propostas de Marcelo Oliveira
Aclamado como dono do melhor elenco, o Atlético tem a maior quantidade de jogadores “veteranos” (entre 30 e 35 anos) no time titular. Natural o desgaste no momento agudo do campeonato. Vai faltar gás no sprint pelo título, como já ficou claro nos últimos jogos. Tem ainda a falta de alternativas táticas no jeito de Marcelo Oliveira comandar. Chama atenção a baixa qualidade do futebol coletivo. As coisas só se resolvem com alguma individualidade. Marcelo parece repetir no Atlético o mesmo desencanto que mostrou no Palmeiras no ano passado e início desta temporada. Nos últimos dois jogos, mesmo com um jogador a mais, penou para derrotar o Sport e no clássico contra o Cruzeiro, neste domingo, jogou bem apenas nos 15 minutos iniciais.

3. Palmeiras e Flamengo não se suportam
Time de Cuca deu uma bela lição no Corinthians no clássico no Itaquerão. Mesmo sem se desgatar, não deu um mínimo de trégua ao rival. Fez dois gols e poderia ter feito outros três. E fechou bem a dura sequência de cinco jogos com três vitórias (Fluminense, São Paulo e Corinthians) e dois empates (Grêmio e Flamengo) e vai ao refresco agora contra Coritiba (em casa), Santa Cruz (fora) e América (fora). Se passar bem por esses três jogos, pode encaminhar a conquista da taça. O Flamengo destruiu o Figueirense neste domingo no Pacaembu e continua na cola do Palmeiras. Vai enfrentar Cruzeiro (em casa), São Paulo (fora) e Santa Cruz (em casa), boa sequência para ficar nas pegadas do líder. Fora os adversários, os dois postulantes ao título têm se comportado muito bem do ponto de vista tático e técnico.

Palmeiras pulveriza Corinthians e Cristóvão Borges é demitido

4. São Paulo ainda não se deu conta do seu lugar no campeonato
Duas vitórias em casa não foram suficientes para dar prumo ao time de Ricardo Gomes. Um teste, com caráter de definitivo, seria desafiar o Atlético-PR fora de casa e acabar, por exemplo, com longo tabu de 17 anos sem vencer. Apequenado no seu jeito de jogar, com boa marcação e sem nenhuma força no ataque, o São Paulo não resistiu ao time paranaense e volta com a derrota neste domingo. Falta ao time um pouco mais de conteúdo e jogadores de qualidade para encarar a empreitada. Não há luz no horizonte e a briga será dura contra a zona do rebaixamento até o fim do campeonato.

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Problema do São Paulo não é dirigente, é ter jogadores fracos

5. Corinthians se rende ao seu próprio fracasso
Perder quase uma comissão técnica inteira, sofrer dois desmanches no início e meio da temporada e investir em um treinador longe de ser uma unanimidade no clube não credencia nenhum time a brigar pela taça. O Corinthians sofreu esse processo e não soube como se virar. Se rendeu aos problemas financeiros, à dependência de Tite e à baixa qualidade dos reforços que vieram para suprir as baixas. Um enredo mal contado e uma conta alta a ser paga no fim do campeonato. Demitir Cristóvão Borges após a derrota no clássico contra o Palmeiras é a tradução perfeita dos erros de gestão. Prejuízo pode ser maior ainda se não garantir vaga na Libertadores de 2017. Pelo andar na carruagem, não vai ficar entre os quatro primeiros da tabela.

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