Tite leva beijo de Del Nero na face e faz referências às seleções das Copas de 70 e 82

 

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Tite assumiu o comando da Seleção Brasileira nesta segunda-feira (20/6) na sede da CBF. Teve de encarar Marco Polo Del Nero na transmissão ao vivo da sua primeira coletiva. Constrangido ou não, recebeu do presidente a camisa amarelinha grafada com o nome de sua mãe, Ivone Bacchi, e um beijo do cartola na face.

Por mais que não comungue com essa infeliz ideia de ver sua mãe exposta no seu primeiro dia de trabalho na Seleção, Tite percebeu que vai ter de se acostumar com essas situações dentro da CBF. Beijos na face, idem. É assim que operam os cartolas. E ainda foi obrigado a dividir a mesa com Del Nero e Coronel Nunes, oligarcas do poder do futebol brasileiro.

Depois, se cercou de seu filho Matheus, agora auxiliar, e mais Edu Gaspar, diretor de seleções, e Cleber Xavier. De cara, enfrentou dos jornalistas perguntas sobre o manifesto que havia assinado em dezembro de 2015 pedindo a saída de Del Nero na CBF.

Veja a resposta dele:

“Respeito posições contrárias, já coloquei que me foi dada atribuição com Seleção e é a melhor maneira de contribuir. Um objetivo pessoal de construção de carreira, julguem como quiserem, mas minha contribuição para o futebol é aquilo que sei. Essas ideias de transparência e democratização continuam como princípios meus.”

A coletiva correu e, no momento mais sublime para este blogueiro, foi quando perguntaram que futebol ele, Tite, queria ver a Seleção jogar e como a história do escrete o inspira neste início da jornada.

Preste atenção na sua resposta:

“Ela (história da Seleção) inspira e faz o joelho da gente balançar também. Toda uma história extraordinária. Eu me lembro de 1970, ouvindo com 8 anos o rádio, o Tostão recebe uma bola pelo lado esquerdo, passe e infiltração do Clodoaldo, empatamos (contra o Uruguai nas semifinais) e eu saí vibrando, feliz da vida. Ou a Copa de 82 que me marcou pela beleza, sou fascinado por meio-campistas. Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico…quanta qualidade, quanta criatividade, luz…”

Na opinião deste blogueiro, a entrevista poderia parar aí. Enfim, depois de décadas, um treinador da Seleção reconheceu o quanto é inspiradora a equipe do Tri na Copa de 70 e, mais emblemática, a referência ao timaço da Copa de 82 construído por Telê Santana.

brasil-de-82Esse discurso representa, de uma forma até visionária, uma ruptura do novo treinador da Seleção com a geração da Copa de 94, até então dominadora na CBF. Se as seleções de 70 e 82 servirem como inspiração a Tite, meio caminho já estará percorrido. Resta saber se o técnico vai ter coragem de revisitar aqueles modelos.

Não custa lembrar que a geração de 94, tendo Dunga como seu expoente, sempre achincalhou a equipe de 82 como uma Seleção perdedora.

Football Soccer - News conference - Brazilian Football Confederation (CBF) headquarters
Tite na coletiva de apresentação na CBF

Outra boa notícia é sobre seu método de trabalho a ser implantado:

“Quero acompanhar trabalho dos técnicos e vou me convidar para assistir, sem intervir, aos treinos dos clubes. Acompanhar treino, conversar com técnico e acompanhar jogo para mensurar. Técnico vai me passar o que o atleta tem e pode executar. Treinos eu não vou conseguir fazer, esse é meu grande desafio. Outro é montagem da equipe, um jogador que possa executar função e se sentir bem.”

Tite admite também rever a posição de Neymar como capitão, insinuou fazer um rodízio na capitania. Não quis dar detalhes sobre outros jogadores da Seleção e deixou claro que não vai levar em conta situações passadas de outras convocações.

“Situações passadas, borracha apagada, agora a relação é comigo e com o que estabeleço ser importante na relação com cada atleta.”

A estreia de Tite será em setembro contra Equador e Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa de 2018 – o Brasil é o sexto colocado. Até lá, poderá apenas observar os jogadores em seus clubes. A maioria só volta a jogar no fim de agosto na abertura da temporada europeia.

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Tite sabe que neste início de trabalho não vai ser questionado pela CBF. Aliás, ele chega como a boia se salvação dos cartolas que comandam o futebol brasileiro. Se fracassar, vai levar todo mundo para o buraco. Beijos na face, por enquanto, tudo bem.

“Quando houve o convite para a conversa, acertamos depois do desligamento no Corinthians. Eu queria autonomia de direcionar a nós todos a busca de excelência no melhor do futebol. É isso que eu sei fazer, é essa contribuição que eu posso dar. Me reformatar e me reorganizar quanto técnico. E a maneira que eu tenho de contribuir é ter minha autonomia para desenvolver o futebol. É uma responsabilidade muito grande. Democratização, transparência, modernização”.

Por isso exigiu autonomia. Nem se envergonhou de levar seu filho, Matheus Bacchi, de 26 anos, para a comissão técnica da Seleção. Vai ser coordenador técnico e tecnológico (?).

Este já é o seu primeiro erro no comando do escrete. Por mais que Matheus seja um gênio, o futebol brasileiro precisa urgente de gente de estofo, com bagagem. Não é o caso do filho de Tite.

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